queria que tudo fosse diferente. queria começar do zero de novo. queria mudar essa história. mas já parece tarde demais. e agora o que eu faço com tudo o que sinto?
Seu jeito, seu cheiro, seu medo... impregnados no meu ser. aaaahhh você! seu sorriso, seu e meu. o meu na escuridão para não deixar o seu. sua falta de jeito em me dizer. seu sorriso encabulado, sua vergonha escancarada. você na minha, mas ainda mais eu na sua. uma vida, um olhar. sinceridade pura. seu jeito na minha mente, seu cheiro no meu corpo. meu sorriso repentino nas lembranças de você por perto. seu oi, seu beijo, seu tchau. coração descansado. medo incorporado. uma luta diária contra ele. digo isso ou aquilo. digo nada, na dúvida. aaaahhh você! para de fugir, mostra que eu não preciso ir. me deixa entrar e fica aqui. sua falta de jeito ao tentar criar uma história para mudar a sua história. fico quieta para não deixar o deslocamento crescer. você percebe que falou demais, que se entregou pelas palavras. sou eu que sou dona delas. e então começa a falar mais e mais e mais. tenta disfarçar o que já não pode mais. e eu tento te deixar à vontade. apesar de saber que em uma única frase posso te desconcertar ainda mais e, se eu o fizer, depois você ganhará o abraço mais gostoso, mais fofo, mais vivo. direi apenas: aaaahhhh você!
Preciso te dizer uma coisa, B. É um conselho de amiga, de mãe, de irmã. Um conselho de quem gosta muito, muito de você. Você não está preparada para ouvir um não. Talvez, ele nem aconteça. Mas acontece que neste momento você não pode nem correr o risco de ouvir um não. Se ele se tornar real, você vai se desfazer em lágrimas, em tristeza, e, talvez, você perca a noção do que a deixa tão triste. E será muito mais difícil mandar essa tristeza para longe. Então, só até este momento passar, fique no mesmo lugar que está. É uma defesa muito necessária. Amanhã será outro dia e, aí sim, você poderá arriscar.
Com amor,
B.
- Para onde você quer ir?
- Quero ir para o mesmo lugar que você.
- Não me deixe decidir sua vida.
- Ela não existe sem você!
e então, você descobre que esse mundo não te pertence. ah, talvez, você que não pertença a ele. a falta de sentido de tudo faz com que você queira apenas o nada, o lado escuro, a noite eterna. você desiste do depois e do antes. mas nem o agora existe. você esquece tudo. você não perdoa nada. a vida que não vive desmonta a vida que queria viver. chega de sonhos, de esperança, de amor, de amizade. você não faz mais parte disso e nem isso faz parte de você. separação total. inconsistência banal. há algo que ainda importa?
eu quero jogar você para fora de mim. seu cheiro, seu gosto. nada valem para mim. você encanta, mas me desencanta. eu quero você fora de mim. pegue sua mala, sua roupa, seu tênis, sua bolsa. saia. não olhe para trás, não olhe para o lado. não reclame. eu quero você fora de mim. seu toque. não! eu não tenho saudades. eu não quero você dentro de mim. eu quero você longe assim. pegue tudo. recolha os trapos. deixei-me sozinha. solidão é vida. é mistério. é aprendizado. corra. não deixe a hora passar. não há mais nada a ser dito. vá. por favor, eu quero jogar você para fora. você não faz mais parte de mim. eu não quero. me larga. desgruda. aaaahhhhhh. não, não, não. por que você insiste em sorrir? em dizer que me quer? em falar que não é nada sem mim? por que você não olha pro lado, para a frente? enxerga outra vida. essa é sua única chance de libertação. e minha também. nos dê a alforria. se não for agora, nunca mais irá.
Você visita o blog e dá de cara com um dos melhores textos de uma pessoinha que você ama tanto, tanto, tanto que nem sabe expressar direito. E essa pessoinha todo dia lhe diz bom dia e pergunta se você está bem. Mesmo longe não sabe a diferença que faz isso na sua vida. Eu tb estou triste, amiga. Vamos seguir juntas de mãos dadas e um dia apenas a Dona Alegria será nossa companheira. Pelo menos por um tempo.
Visita (clique para visitar o blog da amiga Ariana Pereira)
É difícil a gente reconhecer algumas coisas quando elas são invisíveis
a esses olhos que enxergam por fora. Escrevo constantemente (é meu
ofício) sobre felicidade. Os profissionais dão dicas, identificam-se as
causas, fala-se da importância de ser feliz, como a felicidade está nas
pequenas coisas. Não há espaço para a Irmã Tristeza (permita-me, minha
cara, chamá-la assim, como São Francisco faria) na sociedade na qual
estou, para qual acordo todos os dias, com a qual tenho de lidar dia
após dia.
Hj,
uma amiga me perguntou pq ando quieta, sumida. Eu respondi,
simplesmente: “estou triste”. Só isso. E, quando li minha resposta,
tive pena de mim. Como se estar triste fosse pior do que passar fome,
pior do que ser viciada em substâncias químicas, pior do que ser
desprezada, esquecida, marginalizada, não ter onde dormir. Como se eu
fosse uma completa herege.
Irmã Tristeza está tão hostilizada
atualmente. Não tem lugar pra ela. Fiquei pensando nisso. Há meses,
resisto firmemente em escrever ou dizer essa simples frase: “estou
triste”. E só quando assumi percebi que isso é completamente libertador.
Por
favor, não me consolem. Não digam que vai passar. Muito menos, que eu
não tenho motivos para estar triste, que tenho tudo, que trabalho, que
tenho saúde. Eu sei disso tudo e deve ser por isso que resisto tanto em
dizer: “Irmã Tristeza, pode entrar. Se aconchegue, estou preparando um
lugar decente para que descanse já que faz tempo que não é bem recebida
por aqui. Quer um chá? Não quer tirar os sapatos? Fique o quanto
quiser, desde que me deixe respirar por alguns períodos, pois sou feita
de vc, mas a Irmã Alegria também precisa chegar de vez em quando.”
Por
favor, me deem licença para estar triste. Mas não me abandonem na minha
tristeza. Permaneçam por perto quando eu precisar de um silêncio
familiar ou apenas de um olhar que me garanta que a Irmã Tristeza não
gosta de morar pra sempre em uma mesma casa. Pra que eu tenha com quem
sorrir ou gargalhar, mesmo que a Irmã Tristeza se ressinta um pouco com
esses gestos tão cotidianos.
E ela está deitada no sofá. Quer
dormir, exausta. Mas eu a incomodei tanto que não conseguiu pregar os
olhos. Primeiro eu tentei bater a porta na cara dela. Quando ela pulou
a janela e conseguiu entrar, tentei impedi-la de se estabelecer. Falei,
sorri forçado, sai de casa e fiz barulho pra ver se ela desistia de se
sentar. Não adiantou. Aí, comecei a pedir que outras pessoas a
incomodassem por mim, que dissessem a ela que não era bom que ficasse:
desfilaram pela sala um psiquiatra e psicanalista, vários amigos,
freiras, padres, poetas, escritores... Não adiantou. Aliás, os
escritores e poetas ficaram amigos dela e engataram um assunto sem fim,
ainda estavam até agora pouco trocando causos entre si.
Então, hj,
quando eu disse: “estou triste”, foi como se eu dissesse “tudo bem,
Irmã Tristeza, estou tão exausta quanto vc. Deixo que vc descanse pq eu
também preciso de descanso”.
Ela está cochilando. Acho que vai ficar
um tempo por aqui ainda. Estou procurando um ventilador pra garantir a
ela um sono mais tranqüilo. Os poetas e escritores estão um pouco
chateados pq o sono da danada interrompeu um papo bom. Agora, eles
conversam comigo.
Escrito pela jornalista, amiga, querida, fofa e irmã Ariana Pereira
Por favor, tire esses sentimentos de mim. Só quero o meu sorriso de volta!
queria apenas não querer o querer
Você é uma fofa! Gostei bastante desse texto tb. Obrigada pelo elogio! E os vestibulares? bj read more
on Aaaahh você!